São Paulo, 06/02/2014 – A valorização do dólar ante o real e o interesse maior na compra antecipada contribuíram para elevar os preços do milho para entrega no segundo semestre, que subiram até R$ 1,20/saca em algumas regiões. Mas vendedores estão cautelosos, principalmente os de localidades onde o clima seco retarda o plantio da safrinha. Em Mato Grosso, onde as chuvas estão mais frequentes, a negociação acelerou. Ontem, a consultoria FCStone anunciou um corte nas previsões para a área plantada e produção de milho segunda safra no Brasil, mas manteve a estimativa de produtividade em 4,76 toneladas por hectare.

Em Goiás, a indicação de compra estava em R$ 19,50/saca para retirada em agosto e pagamento no mesmo mês. Para julho, a proposta chegava R$ 20,20/saca. Há cerca de duas semanas, lotes para entrega no segundo semestre rodavam a R$ 19/saca. “O produtor está com medo de vender porque corre o risco de ter que replantar a safrinha se não chover na próxima semana”, explicou Ênio Fernandes, analista da Terra Agronegócios, de Rio Verde. Segundo ele, as condições climáticas têm sido desfavoráveis no Estado desde o plantio da primeira safra. “Só tivemos um mês com bons níveis pluviométricos, que foi novembro”, assinalou. Para retirada imediata, compradores ofereciam R$ 22/saca e R$ 22,50/saca no sudoeste de Goiás, valor em que chegaram a rodar lotes de 200 e 300 toneladas esta semana.

No Paraná, comprador propunha de R$ 28/saca a R$ 29/saca para entrega no Porto de Paranaguá em agosto e pagamento em setembro, mas corretores relatavam poucos contratos. No oeste, produtores estão com dificuldade de plantar a segunda safra por causa do clima seco, e isso os afasta da negociação antecipada. Mas mesmo agricultores de regiões que estão colhendo agora e não precisam vender com urgência preferem esperar. Incertezas sobre o efeito da atual estiagem na colheita de verão e a área que será efetivamente semeada em segunda safra desestimulam o fechamento de contratos. Regionais do Departamento de Economia Rural (Deral) seguem apontando preocupação com o clima adverso. Em Ivaiporã, técnicos relataram que as culturas de soja e milho são as mais afetadas pelo quadro climático, devendo apresentar perdas na colheita.

Em Ponta Grossa, os negócios se resumem ao mercado spot, em torno de R$ 23/saca. Na terça-feira, rodaram 500 toneladas. Por causa da falta de chuvas alguns vendedores passaram a pedir R$ 24/saca a R$ 25/saca. Compradores ainda resistem mas corretores dizem que se o clima seco persistir as propostas podem ser reajustadas. Produtores de Ponta Grossa não relatam perdas, mas a oferta está aquém do esperado. “A oferta ainda não engrenou”, contou Adriano dos Santos, da corretora Safra Sul. Ele ressaltou, entretanto, que há uma preocupação com a logística em fevereiro e março, porque a soja precoce já está sendo colhida. Os fretes de Ponta Grossa ao porto de Paranaguá subiram de R$ 3,60/saca para R$ 3,90/saca em uma semana. No porto, comprador sinalizou na terça-feira entre R$ 27/saca e R$ 27,50/saca para entrega até sexta-feira, mas vendedores da região não se dispuseram a negociar.

Em Primavera do Leste (MT), comprador indicava R$ 16/saca para entrega em julho e pagamento em agosto, valor superior ao praticado na semana passada, de R$ 14,50/saca a R$ 15/saca. Os preços atraíram vendas de produtores, que tentam travar custos. Para pronta entrega, era possível fechar negócio entre R$ 17/saca e R$ 17,50/saca. Na terça-feira, chegaram a rodar lotes entre 900 e 1,2 mil toneladas a R$ 17,50/saca. Conforme corretor da região, os produtores do sul de Mato Grosso estão focados na colheita de soja, por isso aparecem poucos lotes de milho disponível para negociar. Entretanto, ele acredita que o milho armazenado deve voltar a ser a comercializado em março, quando a colheita de soja estiver perto da conclusão e a semeadura de milho avançar. “É normal o vendedor negociar até o fim de janeiro milho, depois parar para fazer o carregamento de soja e voltar em março para vender o que sobrou.”

O indicador Cepea/Esalq/BM&F fechou o dia a R$ 28,06/saca, em alta de 2,37%.

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS NO MERCADO FISICO

  MILHO – R$ / saca

   

  05/02/2014

  04/02/2014

  03/02/2014

  31/01/2014

  30/01/2014

  29/01/2014

  Passo Fundo

25.18

25.10

24.97

25.10

24.89

24.84

  Chapecó

26.14

25.64

25.22

25.44

25.44

25.59

  Paraná/Sudoeste

23.54

23.41

23.42

23.53

23.42

23.41

  Cascavel

22.19

22.16

21.94

22.17

21.89

22.08

  Ponta Grossa

23.05

23.03

23.06

23.02

23.05

23.33

  Paraná/Norte

23.00

22.86

22.51

22.57

22.84

22.73

  Sorocabana

24.86

24.32

23.81

23.65

23.41

23.57

  Campinas

28.06

27.41

26.91

26.65

26.46

26.22

  Mogiana

25.04

24.78

24.51

24.36

23.87

24.00

  Triângulo Mineiro

23.67

23.77

23.77

23.75

23.77

23.69

  Rio Verde

21.90

21.78

21.89

21.84

21.82

21.74

  Sorriso

14.42

14.09

13.95

14.20

14.50

14.50

  Posto Recife

35.42

35.14

35.14

35.24

35.24

35.18

FCStone – A consultoria FCStone projetou a safra brasileira de milho em 72,24 milhões de toneladas, ante as 72,44 milhões de toneladas previstas em janeiro. Se confirmado, o número representaria uma diminuição de 10,82% ante a safra 2012/13. A previsão de área plantada total foi cortada para 14,73 milhões de hectares. A FCStone estimou a produtividade do ciclo de verão em 5,1 toneladas por hectare. “As primeiras lavouras colhidas estão mostrando produtividade muito boa. Contudo, a falta de chuvas nestes meses de verão ainda pode ter algum impacto negativo no rendimento médio da safra”, destacou a consultoria. Para a safrinha, a FCStone projetou área plantada de 8,46 milhões de hectares, abaixo da estimativa de janeiro, de 8,50 milhões de hectares. Também reduziu a previsão de produção de inverno de 40,47 milhões de toneladas para 40,27 milhões de toneladas, com produtores menos dispostos a fazer grandes investimentos na safra que começa a ser plantada.

Na Bolsa de Chicago, os futuros do milho seguem se valorizando. Ontem a alta foi de 0,34%, com o contrato março a US$ 4,4325 o bushel. Foi a quinta sessão consecutiva de alta, sustentada pela demanda no mercado dos Estados Unidos.

  Milho – Bolsa de Chicago (CBOT)

  Cotação em dólar por bushel e variação em centavos de dólar

  Contrato

 Máxima

 Mínima

 Anterior

 Atual

Variação

  Mar/14

4,4400

4,3925

4,4175

4,4325

1,50

  Mai/14

4,4825

4,4550

4,4775

4,4750

-0,25

  Jul/14

4,5225

4,5075

4,5275

4,5225

-0,50

  Set/14

4,5400

4,5400

4,5550

4,5400

-1,50

 

Cepea/Agência Estado

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