São Paulo, 12/02/2014 – O mercado de milho voltou a movimentar volumes no spot após os preços subirem na maioria das praças em virtude da menor disponibilidade de produto e da preocupação com o clima. Mas a incerteza a respeito de quanto de milho safrinha poderá ser de fato plantado reduziu o ritmo das vendas para entrega no segundo semestre, que vinha sendo impulsionado pelas valorizações recentes dos futuros em Chicago e do dólar ante o real. Ontem, a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) divulgou sua primeira previsão para segunda safra do cereal, apontando produção 7,2% menor do que em 2012/13, de 42,82 milhões de toneladas, sem levar em conta o período de estiagem atual, já que o levantamento foi feito no fim de janeiro.
No Paraná, os preços se estabilizaram com a expectativa de intensificação das chuvas no fim desta semana e início da seguinte, que tendem a favorecer as lavouras de verão e o plantio de safrinha. Compradores ofereciam R$ 25/saca posto em fábrica do sudoeste e R$ 24/saca a R$ 24,50/saca posto em fábrica de Toledo, patamares similares aos observados no fim da semana passada. Ontem, foram fechados acordos superiores a 1 mil toneladas nas duas regiões. Fábricas do oeste e sudoeste demandam lotes no spot aproveitando o avanço da colheita no sudoeste, onde produtores vêm dando prioridade à retirada do milho. Participantes do mercado alertam que a partir da semana que vem a chuva é fundamental, uma vez que a janela de plantio de safrinha no oeste termina no fim de fevereiro. A incerteza sobre a semeadura afasta participantes das negociações para entrega a partir de julho.
Enquanto as precipitações não chegam, escritórios regionais do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná seguem relatando problemas climáticos. Apucarana recebeu pancadas isoladas no fim de semana e são esperadas novas chuvas de baixo volume no decorrer da semana, mas técnicos da região já estimam perdas em torno de 5% para as lavouras do cereal. Em Cornélio Procópio, o tempo segue seco e com temperaturas altas. “Neste panorama climático, aumentam gradativamente as perdas nas culturas, sendo que para as principais, soja e milho de primeira safra, a expectativa de baixos volumes de chuva causa desânimo aos agricultores”, salientou a regional. Em Campo Mourão, técnicos apontaram que as áreas já emergidas de milho safrinha estão sendo “severamente prejudicadas, com os produtores diminuindo o ritmo de plantio por falta de umidade”.
Em Mato Grosso, os negócios no spot são ocasionais. No sul do Estado, comerciantes sinalizavam R$ 18/saca em Rondonópolis e R$ 17,50/saca em Primavera do Leste, enquanto tradings ofereciam R$ 16/saca e R$ 15,50/saca nas mesmas praças. Na terça-feira, saíram 1,2 mil toneladas a R$ 18/saca em Rondonópolis, e corretor do município contou ter negociado 7,2 mil toneladas desde a quinta-feira passada (06) nesse nível de preço. As negociações de milho disponível se concentram no sul de MT, onde os estoques são maiores, contou Gilmar Meneghetti, da corretora Diversa, de Rondonópolis. No Médio-Norte, o cereal tinha comprador a R$ 13/saca em municípios como Lucas do Rio Verde e Sorriso, mas vendedores não aceitavam menos que R$ 15/saca.
Para entrega em agosto e pagamento no início de setembro, comerciantes e revendas sinalizavam R$ 16,50/saca em Rondonópolis, enquanto tradings apontavam R$ 15,50/saca. Na terça-feira, chegaram a ser negociadas 1,2 mil toneladas a R$ 16,50/saca, mas, para vender volumes maiores, produtores pediam no mínimo R$ 18/saca. No Porto de Paranaguá, a pedida de compra estava em R$ 28,50/saca para entrega em julho e pagamento em agosto, sem registro de negócios.
Na região do Vale do Araguaia, compradores ofereciam ontem R$ 17,50/saca a R$ 18/saca no disponível. Na semana passada, haviam rodado 50 mil sacas a R$ 17,10/saca. Agente da corretora Lamar Neto, de Querência, estimou que ainda estejam disponíveis para negociar apenas 150 mil sacas de milho na região. Com isso, vendedores pediam R$ 18,50/saca. Contudo, o custo do transporte, impulsionado pela colheita da soja, impedia a negociação por esse valor.
Para entrega no segundo semestre, vendedores pediam de R$ 14/saca a R$ 15/saca em Querência, mas compradores não se dispunham a negociar nesses níveis. Participantes do mercado estimam, todavia, que os preços podem subir a R$ 16/saca. Chove pouco na região do Vale do Araguaia, e produtores estão atentos à situação de Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia e Minas Gerais, onde as precipitações também são irregulares.
Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), há atraso na comercialização antecipada de safrinha. Em igual período de 2013, 13,8% do milho da colheita seguinte já estava comprometido. “Atualmente, a safra 2013/14, que está sendo semeada, possui reportes de vendas bem pontuais”, salientou o órgão. A semeadura do milho atingiu 16% da área prevista no Estado.
Em Goiás, a pedida de compra estava em R$ 22,50/saca para retirada em Rio Verde. Na segunda-feira, rodaram 90 mil sacas nesse patamar. A comercialização avança lentamente porque os estoques estão reduzidos. Na semana passada, comprador apontava entre R$ 21,50/saca e R$ 22/saca. O aumento dos preços, segundo corretor da região, reflete a restrição de oferta e a falta de chuva. Para entrega em junho e julho, a indicação de compra ficava em R$ 19/saca a R$ 20/saca. Corretor contou já ter ouvido vendas nesses níveis, mas salientou que nos últimos dias a movimentação tem sido ínfima. Produtores preferem esperar, pois ainda não sabem quanto será possível plantar e projetam preços maiores mais adiante.
Conab
Ontem, a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) divulgou sua primeira previsão para o milho de segunda safra. A estimativa é de redução de 7,2% ante 2012/13, para 42,82 milhões de toneladas. Como o levantamento foi realizado na semana de 19 a 25 de janeiro, ainda não há menções às dificuldades de plantio devido à falta de umidade relatada por participantes do mercado em várias áreas produtoras.
A Conab projetou que a área plantada de inverno cairá 4,8% no País. O destaque nas reduções fica por conta de Mato Grosso e Paraná, primeiro e segundo maiores Estados produtores de milho do Brasil. A pesquisa mostrou que em Mato Grosso o plantio pode ser 5,8% menor, saindo de 3,34 milhões de hectares para 3,15 milhões de hectares, “fruto do forte comprometimento que os elevados valores pagos ao frete proporciona na rentabilidade do cereal”. No momento, o grande competidor por área no Estado é o algodão. No Paraná, o apelo representado pela evolução da lavoura de trigo em 2013 ajuda a explicar a previsão de queda de 11% na semeadura de segunda safra, de 2,16 milhões de hectares para 1,93 milhão de hectares. Além do indicativo de forte retração na área plantada, a Conab também prevê diminuição do uso de insumos, o que deve se refletir em produtividade 2,4% menor, de 5.008 quilos por hectare.
A estatal também revisou para baixo a projeção da safra de verão 2013/14, para 32,63 milhões de toneladas, ante 32,78 milhões de toneladas previstas em janeiro. Se confirmado, o número deve representar queda de 6,2% ante 2012/13. A Conab salientou que a situação da produtividade varia de acordo com a fase de plantio. Para Santa Catarina, a expectativa é de incremento de 4,8% no rendimento em relação ao ano anterior, enquanto no Rio Grande do Sul a má distribuição das chuvas afetou a lavoura do cereal em diferentes fases, o que deve reduzir a produtividade em 5,5%. A estatal ressaltou ainda que em Goiás as condições climáticas desfavoráveis coincidiram com a fase reprodutiva da lavoura. Com isso, a expectativa é de produtividade idêntica à do ano passado (7.633 kg/ha), para uma lavoura que tinha inicialmente potencial superior a 8.000 kg/ha.
Oferta global
Em seu relatório mensal sobre commodities, o Itaú Unibanco destacou o atraso na semeadura do milho safrinha no Brasil provocado pela seca, reduzindo a expectativa de rendimento e aumentando o risco associado a possíveis geadas. “No entanto, o excedente no equilíbrio global de oferta e demanda deve impedir que os preços internacionais sejam significativamente afetados por uma safra menor do Brasil; apenas os preços domésticos devem subir”, assinalou o relatório.
O indicador Cepea/Esalq/BM&F fechou na terça-feira a R$ 28,93/saca, em alta de 1,97%.
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS NO MERCADO FISICO
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Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho encerraram em baixa na terça-feira por causa de especulações de que os preços atuais podem inibir a demanda por produto norte-americano. O vencimento março recuou 1,50 cent (0,34%) e terminou cotado a US$ 4,4150 por bushel.
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Fonte Cepea/Agência Estado