Na manhã desta quarta-feira (4), a soja trabalha em alta na Bolsa de Chicago. Com foco na demanda, o mercado internacional volta a subir, após ter operado de lado e com volatilidade na sessão desta terça (3). Assim, por volta das 7h40 (horário de Brasília), o vencimento janeiro valia US$ 13,22 por bushel, subindo 2,50 pontos, enquanto o maio/14, referência para a safra brasileira, ainda buscava recuperar o patamar dos US$ 13.

Os investidores observam a situação nos Estados Unidos, onde as exportações acontecem em um ritmo recorde – dos 39,5 milhões de toneladas, 37 milhões já estão comprometidos – e estoques locais cada vez menores. Assim, o mercado observa a necessidade de racionamento do produto que ainda há disponível até o final do ano comercial, em agosto de 2014, ou até mesmo até a chegada da safra sulamericana entre fevereiro e março.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja tem correção técnica, mas mercado permanece sustentado

Depois de operar durante toda a sessão com volatilidade na Bolsa de Chicago, os futuros da soja fecharam em campo misto nesta terça-feira (3). Os movimentos do mercado, porém, foram pouco expressivos. O contrato janeiro/14, o mais negociado nesse momento, encerrou com queda de 1,50 ponto, valendo US$ 13,19 por bushel, enquanto o maio, referência para a safra brasileira, fechou o dia valendo US$ 12,87, com um recuo de 0,25 ponto.

Segundo analistas, o mercado registra movimentos técnicos e pontuais, uma vez que o quadro de fundamentos continua inalterado e a realização de lucros observada desde o início da semana vem somente como forma de “aliviar os índices” após quase 10 semanas de alta. Na última segunda-feira (2), o contrato janeiro alcançou seu melhor patamar – US$ 13,46 – em dois meses e meio.

As previsões indicando clima favorável na América do Sul pesam sobre o mercado, porém, as incertezas sobre os resultados reais da safra, principalmente no Brasil e na Argentina, diante de uma demanda mundial muito aquecida limitam o potencial de queda dos preços e dão suporte aos negócios em Chicago. Além disso, há ainda rumores de que os chineses estariam cancelando compras de soja feitas nos Estados Unidos que também exercem pressão negativa sobre os preços.

Porém, para Steve Cachia, consultor da Cerealpar, o mercado deverá entender esses rumores como uma pressão pontual e não como uma informação que cause preocupação com o ritmo e a agressividade de compras por parte da nação asiática. Dessa forma, Cachia acredita que a situação norte-americana, de estoques muito ajustados e exportações acontecendo em ritmo recorde, deve prevalecer e continuar direcionando os negócios no mercado internacional.

“Pelo ritmo das exportações norte-americanas muito agressivo, acreditamos que haverá um momento em que a safra americana será insuficiente para atender a demanda interna e externa, com os EUA entrando, fatalmente, em um processo de racionamento e isso deve provocar uma alta nos preços”, diz.

Nesta terça-feira, a consultoria alemã Oil World afirmou que as exportações globais de soja de setembro a novembro são as maiores já registradas para o período e que as importações também estão mais fortes graças às compras da China, que está recompondo seus estoques da oleaginosa.

Segundo números da empresa, as exportações mundiais de soja para os três meses estão estimadas em 28,4 milhões de toneladas. No mesmo período do ano anterior, foram 23,9 milhões de toneladas. As exportações globais de soja devem aumentar em 11 milhões de toneladas, para 108,6 milhões em 2013/14.

Segundo explicou Liones Severo, consultor do SIM Consult, os chineses precisam importar cerca de 5,8 milhões de toneladas de soja mensalmente. “Se os Estados Unidos poderão fornecer no máximo 28 milhões de toneladas para a China, isso significa suprimento de 5 meses, ou seja, outubro/novembro/dezembro/janeiro/fevereiro.  A soja brasileira somente chegará na China em meados de abril. Por que a China iria cancelar compras de soja norte-americana, nem que fosse possível?”, diz.

Além disso, explica ainda que as grandes compras de soja norte-americanas não são para cobrir os atrasos de soja brasileira, mas sim para consumo efetivo e para atender somente 55% da capacidade industrial instalada.

Fonte: Notícias Agrícolas // 

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