O atual momento é favorável para o produtor brasileiro de soja realizar parte das vendas da nova safra, segundo explicam analistas. Os valores praticados na Bolsa de Chicago e mais os patamares em que se encontra o dólar criam um cenário propício que deve ser observado com atenção pelos sojicultores, que devem fazer suas contas e não deixar passar as boas oportunidades.

“Nesse momento, o produtor de soja do Mato Grosso tem um lucro líquido de R$ 509,00 por hectare e o do Paraná em R$ 1,074,00”, diz Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, que explica que a diferença entre os dois valores se dá, principalmente, em função da logística e dos altos custos com transporte. Do norte do Paraná até o porto de Paranaguá, o valor do transporte entre R$ 80,00 e R$ 90,00 por tonelada, enquanto do norte do Mato Grosso ao mesmo porto esse valor sobe para mais de R$ 300,00.

No mercado internacional, a movimentação dos preços é pequena e os negócios caminham de lado, dada a falta de novidades e, ainda de acordo com os analistas, esse quadro deverá se manter até meados de maio. Para o final de 2013 e o começo do próximo ano, a expectativa são de preços mais fracos, porém, ainda sustentados pelos fundamentos de oferta e demanda. Assim, as cotações dos principais vencimentos não devem se distanciar do intervalo de US$ 13,00 a US$ 13,50 por bushel.

“Existem muitas situações de escassez no mundo, isso oferece mudanças, rupturas de sistemas, os ciclos já estão prestes a vencer, tudo tem uma maturidade e daqui pra frente é preciso ter muito cuidado. (…) As relações de preços entre os produtos estão muito desajustadas”, explicou o consultor de mercado do SIM Consult, Liones Severo.

Apesar desse momento positivo para as vendas, os produtores, não só do Brasil, mas também na Argentina, por exemplo, estão fora dos negócios, esperando melhores oportunidades de comercialização. Isso acaba ajudando ainda mais a sustentação dos preços no mercado interno, uma vez que reduz a pressão de oferta nesse momento, mesmo que com vendas futuras.

“Para quem precisa de caixa até o período de colheita, que vai de março até o começo de maio, precisa aproveitar os atuais números, porque depois haverá uma pressão maior de oferta, os preços recuarem um pouco no mercado de Chicago e o produtor perder a oportunidade. Afinal, nós vamos concentrar um grande volume de transporte de soja do meio de fevereiro em diante e isso vai pressionar os fretes, provavelmente, até mais do que no ano passado com uma safra de quase 10 milhões de toneladas a mais”, explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting.

Passando esse momento, ainda segundo os analistas, o mercado deverá encontrar uma nova projeção de alta para os preços a partir de maio, quando a colheita brasileira já estará fechada, a logística não estará em seu pico de movimentação e os investidores passam a voltar seus olhos, novamente, para a implantação da nova safra dos Estados Unidos e o comportamento do clima no seu desenvolvimento.

O alerta do consultor em agronegócio Flávio França, portanto, é de que o produtor brasileiro faça suas contas e procure não efetivar suas vendas na época da colheita. “Nós tivemos um ano dramático em 2013 durante o período de colheita em função da explosão dos valores dos fretes, do caos logístico e e isso me preocupa porque as chances são muito grandes de que isso se repita em 2014, e talvez até com o problema agravada, porque a safra é maior esse ano”, diz.

O Brasil já tem, aproximadamente, 40% da safra de soja comercializada. Esse número é ligeiramente menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a comercialização estava um pouco mais adiantada e as vendas já estavam em 48%. A média histórica para esse período é de 28%.   Entre os principais estados produtores, no Paraná, o índice de negociação está entre 20 e 25%; em Mato Grosso, entre 42 e 45%; em Goiás, entre 35 e 40%; e em Mato Grosso do Sul entre 35 e 38%.

Fonte: Notícias Agrícolas // 

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