Os fundos de investimentos elevaram suas apostas otimistas para maiores altas em 15 semanas para importantes commodities agrícolas depois de começaram a aparecer os efeitos da seca no Brasil nas produções do café à soja.
Na semana que terminou no dia 4 de fevereiro, segundo informações do EUA Commodity Futures Trading Commission, a posição de longo prazo desses fundos subiu 15% para 900,330 mil contratos futuros e opções, registrando a maior elevação desde agsoto.
Pela primeira vez desde julho de 2012, os investidores se mostram otimistas sobre os futuros do café arábica e as apostas de alta para a soja aumentaram o máximo em três meses. O Brasil é o maior exportadore de ambas as culturas.
A safra brasileira, tanto de grãos quanto de café, está em suas fases mais delicadas que são de maturação e enchimento de grãos, as quais estão sendo comprometidas pela falta de água e pelo calor muito forte. Em um boletim da empresa Terra Forte, de São João da Boa Vista, as próximas chuvas que estão previstas podem chegar tarde demais.
“O sol está comendo os cafezais do Brasil. Nestes últimos dez dias, muitas lavouras foram dilaceradas pelo sol. Lavouras mais novas secaram, e as mais velhas – que até há uma semana atrás não tinham nada – aparentemente estão se depauperando, com os grãos chochos e sem água. Os cafeicultores estão ficando desesperados”, disse o produtor de Guapé/MG, Frank Scanavachi.
Já para a soja, o instituto norte-americano Commodity Weather Group afirma que cerca de 40% da área produtora de soja está sofrendo com o tempo quente e seco, tendo sua produtividade seriamente comprometida. Em importantes estados produtores como Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná não chove há quase dois meses. Dessa forma, além do rendimento da soja ser prejudicado, o plantio do milho safrinha deverá atrasar, o que também pode resultar em menor produtividade também para o grão.
Os futuros do açúcar também estão observando as adversidades climáticas para inspirar uma aposta mais positiva por parte dos participantes do mercado mundial. No Brasil, os canaviais também vêm sofrendo com o clima muito quente e seco e deverá registrar significativa perda de produtividade depois do janeiro mais seco desde 1954. Cacau e trigo também exibem boas perspectivas de preços, respectivamente, com o excesso de chuvas na Indonésia e com o frio intenso nos Estados Unidos.
“A agricultura é, provavelmente, o setor que irá registrar uma corrida de preços esse ano. Esses problemas de clima irão, certamente, causar algum impacto positivo sobre os preços”, disse o gerente de uma consultoria à agência internacional Bloomberg.
Com informações da Agência Bloomberg.