São Paulo, 12/02/2014 – Após uma breve realização de lucros, os futuros da soja voltaram a avançar ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). Analistas observam que o relatório de oferta e demanda divulgado no começo da semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não alterou em nada a perspectiva de sustentação das cotações.
Além do aperto dos estoques norte-americanos em meio à forte de demanda para exportação, outro fator que inibe as quedas de preço neste momento é a preocupação sobre as condições climáticas na América do Sul. A irregularidade das chuvas e as elevadas temperaturas comprometem as lavouras, sobretudo as que foram semeadas mais tarde e agora se encontram na etapa de enchimento de grão, em vários Estados produtores. Na Argentina, por outro lado, é o excesso de umidade que ameaça a safra 2013/14.
O fato de a China ainda não ter cancelado cargas de soja norte-americana também reforça o viés de alta do mercado no curto prazo, segundo João Paulo Schaffer, analista da Agrinvest. Participantes esperavam que o país asiático desviasse as compras para o Brasil assim que os trabalhos de colheita tivessem início, mas até agora o apetite dos chineses por produto dos EUA continua forte.
No pregão de ontem, o contrato março da oleaginosa fechou com valorização de 9,25 cents (0,7%), a US$ 13,3475 por bushel. Na avaliação de Schaffer, superada a resistência em US$ 13,40 por bushel, o próximo objetivo técnico do vencimento será US$ 13,60 por bushel. Ele também prevê suporte inicial em US$ 13 por bushel e, depois, em US$ 12,90 por bushel.
No mercado interno, aumenta a procura por caminhões com a intensificação da colheita, o que já reflete nos custos de transporte. No trajeto de Cascavel a Paranaguá, o frete, que estava em R$ 70 a tonelada no início de janeiro, quase dobrou para R$ 120 a tonelada, de acordo com um operador da região. Até o porto de Rio Grande, as transportadoras já cobravam R$ 160 a tonelada, acrescentou ele.
Em Mato Grosso, a situação não é diferente. Gilmar Meneghetti, da Diversa Corretora, conta que o trecho de Rondonópolis a Paranaguá já sai por R$ 230 a tonelada e pode chegar a R$ 250 a tonelada ainda nesta semana. Partindo de Sorriso rumo ao mesmo porto, o custo gira em torno de R$ 270 a R$ 280 a tonelada, revelou o corretor. “O frete está subindo cerca de R$ 20/tonelada por semana e há comentários de que atingirá R$ 300 a tonelada”, afirmou Meneghetti.
Com o encarecimento do transporte, o produtor mato-grossense prefere cumprir os contratos firmados anteriormente e negocia apenas lotes pontuais. “Ele vende só da mão para boca para pagar despesas”, disse o corretor da Diversa. Ele relatou que os preços da soja disponível em Rondonópolis caíram cerca de R$ 5/saca desde meados de janeiro devido à entrada da safra e à elevação do frete, passando de R$ 62/saca para R$ 57/saca. No spot, também era possível fechar contrato a R$ 52/saca em Sorriso, a R$ 52,50/saca em Campo Novo do Parecis e a R$ 55/saca em Primavera do Leste e Campo Verde.
Para entrega em março e pagamento em abril, o comprador sinalizava US$ 24,20/saca, mas o produtor queria receber a partir de US$ 25/saca. O último acordo feito por Meneghetti saiu na sexta-feira passada (07), quando 1.500 toneladas do tipo convencional foram comercializadas a R$ 57/saca para retirada em Lucas do Rio Verde.
No oeste paranaense, a proposta de compra para pronta entrega em fábrica no município de Cascavel era R$ 64,50/saca na terça-feira. No Porto de Paranaguá, a pedida estava em R$ 70,50/saca CIF para embarque imediato. Havia relatos de acordos no terminal, mas o agente ouvido pelo Broadcastnão soube precisar volumes. Para prazos mais longos, a fonte disse não ter referência de preço. De acordo com ele, produtores da região estão atentos à possibilidade de chuvas no fim desta semana e início da próxima, na expectativa de que sejam suficientes para melhorar a situação das lavouras.
O índice de preços calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), que reflete cinco praças paranaenses, subiu 0,82% e fechou a R$ 65,52/saca na terça-feira. Em dólar, o índice ficou em US$ 27,27/saca (+1%). A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 2,4030 (-0,17%).
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
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CBOT/Agência Estado
EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES
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Fonte -Cepea/Agência Estado