– Os futuros da soja começaram a semana pressionados por realizações de lucros na Bolsa de Chicago (CBOT), mas analistas veem chance de recuperação nos próximos dias por causa da persistente demanda por produto norte-americano num cenário de estoques enxutos. “Do lado dos fundamentos, a situação ainda é apertada”, diz João Paulo Schaffer, da corretora paranaense Agrinvest.
Relatório divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostrou que os embarques do grão ao exterior alcançaram 239.955 toneladas na semana encerrada em 8 de maio, 140% mais que as 99.869 toneladas da semana anterior e 162% acima das 91.542 toneladas registradas em igual período de 2013.
No acumulado do ano comercial iniciado em 1º de setembro de 2013, os EUA já embarcaram um total de 41.693.494 toneladas de soja, superando em quase 22% as 34.185.536 toneladas verificadas no mesmo intervalo de 2012/13. “Apesar do aperto na oferta, continua saindo da soja dos EUA”, observa Schaffer.
De acordo com ele, participantes do setor aguardam agora os dados que a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa, em inglês) divulgará na quinta-feira (15) sobre o volume de soja esmagado pela indústria em abril. “A previsão é de que os números venham fortes, o que poderia mudar o tom negativo do mercado nesse começo de semana”, afirma o analista da Agrinvest.
No levantamento anterior, a Nopa informou que 153,84 milhões de bushels (4,19 mi/t) foram processados em março, uma alta de 8,6% ante os 141,6 milhões de bushels (3,85 milhões de toneladas) esmagados em fevereiro e de 6,4% em relação aos 144,6 milhões de bushels (3,94 milhões de toneladas) esperados por analistas consultados pela agência de notícias Dow Jones.
No pregão de segunda-feira, o contrato julho da oleaginosa – atualmente o de maior liquidez – encerrou com perda de 21,75 cents (1,46%), cotado a US$ 14,6525 por bushel. Para Schaffer, o vencimento tem suporte inicial em US$ 14,60 por bushel e resistência em torno de US$ 15 por bushel.
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
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CBOT/Agência Estado
No mercado doméstico, o enfraquecimento dos preços em Chicago e o câmbio desestimulam as negociações. Em Rondonópolis, no sul de Mato Grosso, a soja disponível tinha comprador a R$ 61/saca na segunda-feira, abaixo dos R$ 62,50/saca desejados pelo vendedor, contou Gilmar Meneghetti, corretor da Diversa.
O último acordo feito por ele ocorreu na sexta-feira, quando 1.500 toneladas saíram a R$ 62/saca para comerciante, com pagamento em 5 de junho. No caso da safra 2014/15, produtor pedia US$ 22/saca para entrega em fevereiro e pagamento em março, mas só era possível fechar contrato a US$ 19,50/saca no sul de Mato Grosso, segundo Meneghetti.
No Médio-Norte do Estado, a indicação de compra para retirada imediata em Lucas do Rio Verde era R$ 55/saca, R$ 1 a menos que os R$ 56/saca em que foram comercializadas 720 toneladas na sexta-feira, informou o corretor da Diversa. Para futura colheita, ele citou como referência US$ 17,50/saca na região, mas alertou que o agricultor quer receber pelo menos US$ 20/saca.
No Rio Grande do Sul, havia chance de negócio a R$ 68,50/saca para exportação pelo porto de Rio Grande, conforme boletim da corretora Transarroz.
Ontem, a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) elevou a projeção da receita total gerada pelos embarques do complexo soja (grão, óleo e farelo) em 2014 para US$ 28,796 milhões. O montante é 4,5% maior que os US$ 27,565 milhões previstos pela entidade em abril, mas fica 7% abaixo dos US$ 30,965 milhões obtidos em 2013.
O ajuste reflete o aumento da do preço médio de exportação da soja em grão (de US$ 470 para US$ 500 por tonelada) e do farelo (de US$ 420 para US$ 450 por tonelada) neste ano, afirmou Fábio Trigueirinho, secretário geral da Abiove. O custo médio para embarque de óleo de soja foi mantido em US$ 870 por tonelada. “Nós vínhamos trabalhando com números um pouco mais conservadores, mas a escassez forte (de soja) nos Estados Unidos sinaliza um patamar razoável de preços no Brasil”, justificou Trigueirinho.
O índice de preços calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), que reflete cinco praças paranaenses, caiu 0,16% e fechou a R$ 67,42/saca na segunda-feira. Em dólar, o indicador ficou em US$ 30,38/saca (-0,26%). A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,2190 (+0,09%).
EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES
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Fonte Cepea/Agência Estado