A sustentação de preços do milho no mercado doméstico, que vinha sendo garantida pela incerteza sobre o tamanho da safra em Mato Grosso, tende a se dissipar até o início da colheita. Isso porque a safra volumosa nesta temporada – entre 67,95 milhões de toneladas e 75 milhões de toneladas, dependendo da fonte do levantamento – deve ser garantida por rendimentos superiores nos demais Estados, compensando as eventuais perdas pelo clima no Centro-Oeste.

Ontem a Céleres Consultoria reafirmou sua estimativa para a safrinha em 44,4 milhões de toneladas, e ressaltou que apenas em Mato Grosso a produtividade projetada está abaixo da prevista no levantamento de abril. Parte das lavouras do Estado foi semeada fora da janela ideal de plantio e está mais sujeita a riscos climáticos, notadamente baixo volume de chuvas durante a etapa de enchimento de grãos. Para todas as regiões, a Céleres ressalta que “as condições climáticas nas próximas semanas ainda serão cruciais para a confirmação do potencial produtivo”.

Os preços do cereal brasileiro também devem ser pressionados pela perspectiva de produção recorde nos Estados Unidos, como mostrou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) na última sexta-feira. Com a oferta do maior produtor mundial do cereal, o apetite pelo milho brasileiro no mercado internacional pode ser menor.

Desde o final de abril, as tradings estão afastadas do mercado interno, já que elas não têm conseguido chegar nos preços pagos pelos consumidores domésticos. Em Campo Verde (MT), esses compradores sinalizavam entre R$ 18,50/saca e R$ 19/saca para entrega em agosto e pagamento em setembro, mas o último negócio registrado, na semana passada, foi a R$ 20/saca, contou Ariel Encide, da Diversa Corretora. No disponível, a indicação de comprador entra de R$ 20/saca em Rondonópolis, R$ 19/saca em Campo Verde e R$ 17,50/saca em Sapezal e em Sorriso.

Na região de Ponta Grossa (PR), compradores pressionam por R$ 26/saca no disponível, ante vendedores em R$ 27/saca. “Na semana passada, comprador estava em R$ 27/saca, e vendedor em R$ 28/saca. Saíram 2 mil toneladas a R$ 27,50/saca”, afirmou uma fonte da região. No Porto de Paranaguá, a safrinha tinha comprador a R$ 29/saca para embarque em agosto, mas não foram reportados negócios.

Em Dourados (MS), a safrinha tinha comprador entre R$ 19/saca e R$ 19,50/saca, mas vendedores pediam pelo menos R$ 20/saca para negociar. “Produtor vai vender apenas o milho que não tiver como estocar”, afirmou um agente do mercado. Há duas semanas, alguns lotes foram acordados nesses patamares. No spot, a indicação era de R$ 21,50/saca e R$ 22/saca, mas vendedores pediam pelo menos R$ 1/saca a mais. “Sai a R$ 22/saca quando há necessidade de fazer caixa”, complementou.

O indicador Cepea/Esalq/BM&FBovespa fechou a segunda-feira a R$ 29,48/saca (+0,24%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,28/saca (+0,08%).

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS NO MERCADO FISICO

  MILHO – R$ / saca

   

  12/05/2014

  09/05/2014

  08/05/2014

  07/05/2014

  06/05/2014

  05/05/2014

  Passo Fundo

27.36

27.59

27.80

27.69

27.80

27.91

  Chapecó

28.68

28.32

28.73

28.83

29.19

29.20

  Paraná/Sudoeste

25.71

26.05

25.96

25.75

26.05

26.53

  Cascavel

24.32

24.54

24.44

24.48

25.06

24.89

  Ponta Grossa

26.61

26.73

27.06

27.27

27.23

27.14

  Paraná/Norte

25.39

25.85

25.50

25.60

25.75

26.11

  Sorocabana

26.28

25.91

25.79

26.34

26.88

27.00

  Campinas

29.48

29.41

29.54

29.62

30.34

30.39

  Mogiana

26.70

26.65

26.89

27.35

27.55

27.91

  Triângulo Mineiro

26.02

26.01

26.05

25.95

25.91

25.98

  Rio Verde

23.91

23.62

23.53

23.57

23.65

23.73

  Sorriso

17.91

17.68

17.92

17.88

17.76

17.58

  Posto Recife

35.02

34.92

35.52

35.62

35.62

35.53

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros fecharam em queda, com investidores digerindo dados do relatório mensal de oferta e demanda, divulgado na sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O vencimento julho, atualmente o mais negociado, cedeu 8 cents (1,58%) e fechou a US$ 4,9950 por bushel.

Conforme o USDA, produtores norte-americanos devem colher 353,95 milhões de toneladas em 2014/15, acima da colheita recorde de 353,69 milhões de toneladas da temporada 2013/14.

Além disso, a preocupação com o atraso no plantio nos Estados Unidos também se desfez. Ontem, após o fechamento do mercado, o USDA mostrou que produtores dos Estados Unidos semearam 59% da área prevista, um avanço de 30 pontos porcentuais ante o plantio da semana passada, e acima da média dos últimos cinco anos, de 58%.

  Milho – Bolsa de Chicago (CBOT)

  Cotação em dólar por bushel e variação em centavos de dólar

  Contrato

 Máxima

 Mínima

 Anterior

 Atual

Variação

  Mai/14

4,9825

4,9725

5,0500

4,9750

-7,50

  Jul/14

5,0475

4,9900

5,0750

4,9950

-8,00

  Set/14

4,9900

4,9900

5,0175

4,9400

-7,75

  Dec/14

4,9600

4,9125

4,9875

4,9200

-6,75

Fonte Cepea/Agência Estado

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