O número de queimadas no Brasil, desde o dia 1 de janeiro até hoje, subiu 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2013 foram 10.659 focos de calor, contra 14.949 em 2014. De acordo com os meteorologistas da Somar, esse aumento não é reflexo do tempo mais seco no outono, o que é normal, mas também da falta de chuvas durante o verão, principalmente no Sudeste do país.
Mato Grosso é o Estado com maior número de queimadas, com 3.847 focos neste ano, mesmo assim, o número é 41% que nos primeiros seis meses de 2013. Somente em junho os satélites do INPE observaram 890 incêndios florestais no território mato-grossense, sendo que a cidade que mais queimou foi Nova Maringá, com 72 dessas queimadas.
Porém, os número do Sudeste são os que mais chamam a atenção. Em Minas Gerais, ocorreram 912 queimadas em 2014, 53% a mais que no ano passado, em São Paulo foram 697, ou seja, 57% maior e no Rio de Janeiro aconteceram 266 incêndios florestais neste ano, valor 358% acima do que foi registrado na mesma época de 2013.
2014 pode ter mais queimadas que 2010
Esse ano só não tem um número maior de queimadas em Mato Grosso, do que em 2010, quando de janeiro a junho foram observados 3.882 focos de calor. Naquele ano, o Estado teve um dos piores desastres com fogo da sua história.
Em 8 de agosto de 2010, um incêndio que começou nas marcenarias de Marcelândia, há 712 quilômetros da capital Cuiabá, tomou conta de toda a cidade. Cerca de 15 empresas foram destruídas e quase 100 casas tiveram que ser reconstruídas. O prejuízo na época foi de R$ 1,5 milhão.
Os meteorologistas da Somar alertam, pois a situação climática de 2010 é muito parecida com a de 2014. Naquele ano, havia atuação do El Niño, que tem como principal característica nos meses de inverno, o aumento na temperatura. Neste ano, o fenômeno já está em desenvolvimento e deve fazer com que os próximos meses sejam mais quentes que o normal entre o Sudeste e Centro-Oeste do país.