O período da quaresma chegou ao fim e com ele termina também a tradição católica de fazer jejum de carne vermelha. Mas, muitos consumidores que estão voltando aos açougues para as compras têm se assustado com os altos preços da carne bovina.

Segundo a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), o preço médio da carne de boi teve um aumento de 14% no comparativo de fevereiro deste ano com o mesmo mês de 2014.

Na tarde de ontem, o agricultor José Francisco da Silva, de 52 anos, olhava uma vitrine de carnes no Mercadão. “Passo para ver os preços e as promoções. Se tiver alguma que compense, aproveito para comprar”, diz. “Está difícil comprar carne, não tem como encarar os preços”, reforça.

Para driblar as altas, os consumidores diminuem as compras e substituem as carnes consumidas, ou seja, deixam de lado os cortes nobres e priorizam as de segunda. “Como carne de boi apenas aos finais de semana, e isso se tiver condições. Senão, acabo comprando frango, porque é mais em conta”, afirma.

O motorista Álvaro Aparecido Sanches, de 56 anos, tem priorizado o frango, as saladas e os vegetais. Mas, ao menos três vezes na semana ele tenta consumir carne vermelha. “Não dá para ficar sem. Mas, em épocas de alta, substituo cortes nobres por de segunda”, frisa.

Para não prejudicar o bolso, Sanches compra carne fresca todos os dias, ao invés de comprar em grande quantidade. “Como o preço está salgado, aproveito as ofertas e promoções do dia.”

Aumentos

Mas, o varejo não acredita em novos reajustes na carne de boi. “Até porque não sei se o mercado absorveria”, afirma William José Stefaneli, proprietário de açougue.

“Estamos vindo de altas e a tendência é a estabilidade. Acredito que só teremos novos reajustes em agosto, no período de entressafra”, afirma o gerente de açougue Márcio Luís Ferreira.

Arroba bateu valor recorde

O preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 147 no estado de São Paulo, atingindo recorde real da série histórica, iniciada em 1994. E a explicação para isso, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, é a baixa oferta de animais para abate somada a alta demanda.

Além disso, diante dos altos valores da reposição (bezerro e boi magro), pecuaristas de engorda estão mais resistentes em vender os animais prontos para abate, o que reforça os aumentos de preços do boi gordo. E a consequência dessa alta no campo é a alta dos preços nos açougues, o que afeta diretamente o bolso do consumidor.

O principal motivo para a alta do preço é a escassez de oferta de animais para abate, causada pelos altos níveis do abate de fêmeas nos últimos anos, em que houve uma redução do rebanho, resultando no cenário que temos hoje. Assim, a alta começa na fazenda e acaba chegando ao consumidor. Mas, vale ressaltar, que nem toda a alta é repassada.

O consumidor ainda vem sendo poupado de maiores reajustes, que ficaram retidos na indústria e no atacado, justamente em função da dificuldade de repassar aumentos de preço no varejo. Isso porque é impossível repassar todo o aumento ao varejo, ainda mais em um cenário de economia ruim como estamos enfrentando. Mas, ainda há a possibilidade de novas altas em 2015. O que pode limitar é o repasse das indústrias.

Do Jornal A Cidade

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