A produção industrial brasileira registrou, em dezembro do ano passado, queda de 3,5% em relação a novembro, informa nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do pior resultado mensal desde dezembro de 2008, quando o recuo foi de 12,2%. No acumulado do ano contudo, o setor registrou avanço de 1,2%, número insuficiente para recuperar as perdas de 2012, quando a produção industrial recuou 2,5% (dado revisado). Ainda que positivo, o resultado anual deixa a desejar em um dos setores-chave para o crescimento da economia brasileira: analistas esperavam avanço de 1,53% do indicador em 2013, de acordo com o último relatório Focus, do Banco Central, em que apareciam as projeções para o ano passado.
Apenas nos dois últimos meses do ano, houve contração de 4% na produção da indústria brasileira, segundo o IBGE. Em comparação a dezembro de 2012, a desaceleração foi mais amena: a produção caiu 2,3%, na série ainda com influências sazonais. O principal peso negativo veio do segmento de veículos automotores, que caiu 17,5% na comparação mensal, o terceiro resultado negativo consecutivo. Nos três últimos meses do ano, a produção no segmento automotivo caiu 22,9%.
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Por Rodrigo Constantino: A conta só começou a chegar
A produção industrial de dezembro, divulgada hoje, despencou 3,5%, bem abaixo de todas as expectativas do mercado. A pesquisa da Bloomberg com analistas tinha mediana de -1,7%, mínima de -2,5% e máxima de -0,8%. É a 2ª queda seguida na comparação mensal e o maior resultado negativo da série desde dezembro de 2008. Ano contra ano, representa uma queda de 2,3%.
O setor de veículos automotores teve queda de 17,5% no mês, e foi a “influência negativa mais relevante”, “pressionada principalmente pela concessão de férias coletivas em várias empresas do setor”, diz IBGE em comunicado divulgado no Rio. Além disso, a balança comercial, divulgada ontem, apresentou o pior déficit de sua história para janeiro.
O modelo nacional-desenvolvimentista do governo Dilma é o maior responsável por este quadro. Com fortes estímulos ao consumo, principalmente calcado em crédito sem lastro, e com bolsas (esmolas) estatais para muitos, o nível de emprego se encontra pressionado, e a indústria perde competitividade. As importações aumentam, especialmente de bens de consumo.
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No Blog de Lauro Jardim, da Veja
O governo autorizou o acionamento de mais megawatts nas termelétricas nesta semana. Quer evitar riscos de apagões. Hoje, 25% de toda a energia consumida do Brasil vem das caríssimas usinas termelétricas.
Historicamente, só na primeira semana de julho de 2013, o Brasil tinha tantos megawatts/hora de termelétricas acionados.
e o governo não tivesse adiado a entrada em operação do sistema de bandeiras tarifárias, o brasileiro já precisaria começar a controlar o uso da eletricidade para não levar um susto no fim do mês. No esquema, o custo de energia varia a cada mês, dependendo do custo do sistema elétrico naquele período, especialmente com as termoelétricas, usinas mais caras. Se a bandeira estiver verde, isso significa que o regime de chuvas ajudou na elevação do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e exigiu-se menos das térmicas. Se estiver vermelha, o alerta é para pisar no freio com o consumo de energia porque a conta ficará mais cara. A cor amarela seria um patamar intermediário de preço.
Como neste momento o sistema vive sob forte estresse por causa das chuvas abaixo da média histórica – o terceiro pior volume em 84 anos -, a bandeira é vermelha. Ou seja, se estivesse valendo, o consumidor pagaria 3 reais a mais para cada 100 quilowatt (kW) consumido. O consumidor pode decidir se reduz o uso da energia ou se paga mais. Segundo cálculos da consultoria Thymos Energia, nesse caso a conta de luz de um brasileiro que não conseguisse reduzir o consumo seria 9% maior. No caso das indústrias, o impacto seria bem mais pesado: 11%. Em janeiro, a bandeira definida pela Aneel era amarela, que significaria acréscimo de 1,50 real a cada 100 kW (na verde, não há aumento).
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