A rolagem de posição dos fundos pode ser o principal fator de movimentação dos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta semana. O intervalo de negociação, no entanto, deve seguir restrito, com a carência de novidades para fundamentos. O clima segue benéfico para as lavouras nos Estados Unidos, e dados que atualizem o aperto nos estoques norte-americanos só serão divulgados na próxima semana, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publica relatório mensal de oferta e demanda.
Vinicius Xavier, consultor da FCStone, aponta que mesmo com a troca pelos fundos do contrato julho para o novembro, a oscilação deve ser pequena. Segundo ele, o mercado tem ficado no intervalo de US$ 14,60/bushel a US$ 15/bushel – faixa considerada “justa” -, ancorado em fundamentos. De um lado, a tendência de bons rendimentos e safra cheia limita ganhos; de outro, o aperto nos estoques tem impedido desvalorizações abaixo desse patamar.
Na sexta-feira, os dados de exportação divulgados pelo USDA não foram suficientes para sustentar os vencimentos futuros, que fecharam em queda. O contrato julho, atualmente o mais negociado, cedeu 5,75 cents (0,38%) e encerrou a US$ 14,9325 por bushel.
Segundo o governo norte-americano, 60.300 toneladas de soja da safra 2013/14 foram vendidas na semana encerrada em 22 de maio. O volume é 63% menor que o negociado na semana anterior e ficou dentro das estimativas do mercado. As vendas de farelo para entrega ainda em 2013/14 caíram 55%, para 83.700 toneladas em igual período, mas também ficaram dentro das previsões.
João Paulo Schaffer, da Agrinvest, afirma que mesmo dentro das estimativas do mercado, o número aponta para uma revisão de dados de oferta e demanda do USDA no relatório do dia 11 de junho. “Considerando as novas vendas e os embarques, até o momento, as exportações somariam 1,5 milhão de toneladas a mais do que o USDA prevê para toda a temporada, de 43,5 milhões de toneladas”, afirmou. Schaffer complementa que, se não houver rolagem para a próxima safra e as vendas semanais continuarem positivas, haverá espaço para esperar revisão nos números de importação e exportação.
Levantamento divulgado pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities do país (CFTC, em inglês) mostrou que os fundos elevaram em 6,04% o saldo comprado em soja na semana encerrada em 27 de maio, para 124.058 lotes. Em 20 de maio, a posição líquida de compra era de 116.898 lotes.
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
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CBOT/Agência Estado
No mercado doméstico, a sexta-feira registrou movimentação pontual nas principais praças. No Médio-Norte de Mato Grosso, 4 mil toneladas da safra 2014/15 foram negociadas a US$ 20,60/saca (Lucas do Rio Verde) e US$ 20/saca (Ipiranga do Norte), com entrega até 15 de fevereiro. No disponível, não foram registrados acordos. Compradores sinalizavam entre R$ 59,50/saca e R$ 59,80/saca na sexta-feira.
No norte do Paraná, foram fechados acordos a R$ 68/saca em Maringá e R$ 67,50/saca em Campo Mourão. Corretor não soube informar o volume contratado. Também houve chance de negócio a R$ 72,50/saca no Porto de Paranaguá.
Em Mato Grosso do Sul, entre 6 mil e 7 mil toneladas foram negociadas na sexta-feira a R$ 65/saca em Dourados. Também havia comprador a R$ 64/saca em Campo Grande e a R$ 62,50/saca em São Gabriel do Oeste. Para safra futura, havia apenas a referência de R$ 65/saca no Porto de Santos, sem interesse de venda.
O índice de preços calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), que reflete cinco praças paranaenses, caiu 0,04% e fechou a R$ 68,48/saca na sexta-feira. Em dólar, o indicador ficou em US$ 30,57/saca (-0,75%). A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 0,72%, a R$ 2,24.
EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES
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Cepea/Agência Estado