SOJA: CBOT DEVE TER SEMANA FIRME; SEM CHINA, MERCADO OLHA PARA GRÁFICO
São Paulo, 04/02/2014 – Os futuros da soja começaram a semana firmes na Bolsa de Chicago (CBOT) e a tendência é de oscilem em um mesmo intervalo ao longo da semana. Segundo analistas, ninguém quer se arriscar enquanto a China, maior comprador mundial da oleaginosa, estiver ausente do mercado e é provável que fatores técnicos exerçam grande influência sobre as cotações durante o feriado do Ano Novo Lunar.
Martha Matsumura, especialista em commodities agrícolas da XP Investimentos, observa que a soja fica suscetível a realizações após dois pregões consecutivos de alta, mas os gráficos atualmente sugerem um movimento lateral. “É normal voltar um pouco, mas o mercado está com cara de que vai continuar trabalhando nesse range”, afirma.
Na avaliação dela, os preços já consolidaram o piso de US$ 12,66 por bushel. Antes disso, contudo, Martha vê níveis de suporte em US$ 12,7850 por bushel, US$ 12,7550 e US$ 12,7150 por bushel. Para acelerar os ganhos, a commodity precisa superar a resistência em US$ 13 por bushel, acrescenta. No pregão de segunda-feira, o contrato março encerrou com ganho de 10 cents (0,78%), a US$ 12,9275 por bushel.
Além de movimentações técnicas, o mercado também foi influenciado pelo anúncio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de que 40 mil toneladas de óleo de soja foram vendidas para países não identificados no ano comercial 2013/14. A demanda aquecida pelo grão e seus derivados mesmo após o início da colheita no Brasil levanta preocupações de que os estoques finais do país serão menores que 150 milhões de bushels (4,08 milhões de toneladas).
Em um relatório divulgado separadamente, o USDA informou que 1,16 bilhão de bushels (31,58 milhões de toneladas) de soja foram inspecionadas para embarque ao exterior entre 1º de setembro de 2013 e 30 de janeiro deste ano, 15,4% mais que os 1,006 bilhão de bushels (27,38 milhões de toneladas) verificados em igual período do ciclo 2012/13.
Só na semana encerrada em 30 de janeiro, foram exportados 45,435 milhões de bushels (1,23 milhão de toneladas) da oleaginosa, 38,6% menos que os 73,974 milhões de bushels (2,013 milhões de toneladas) registrados na semana anterior e 18,8% abaixo dos 55,927 milhões de bushels (1,52 milhão de toneladas) no mesmo período de 2013.
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
CBOT/Agência Estado
No mercado interno, as vendas evoluem lentamente, com os participantes monitorando de perto as previsões climáticas. O clima mais seco no Centro-Oeste está permitindo ao produtor avançar com os trabalhos de colheita, mas as altas temperaturas no Paraná já são motivo de preocupação.
Em Cascavel, no oeste paranaense, tradings ontem sinalizavam R$ 61,50/saca a R$ 62/saca (FOB) para retirada imediata e pagamento em 72 horas, contou um corretor da região. Segundo ele, lotes somando pouco mais de 1 mil toneladas saíram neste nível. Para entrega em março, a indicação era R$ 60/saca a R$ 60,50/saca, mas não foram registrados negócios.
Em Mato Grosso do Sul, a proposta era R$ 54/saca a R$ 54,50/saca para entrega entre 15 de março e 15 de abril no município de Dourados, relatou Jorge Rosa Filho, da corretora Granos. Ele explicou que as vendas são esporádicas porque os agricultores querem receber, em média, R$ 56/saca. “Eles já venderam mais de 40% da safra e estão capitalizados”, disse. Para Rosa Filho, o ritmo da colheita é o que determinará as cotações da oleaginosa daqui para frente.
Conforme o corretor da Granos, era possível fechar contrato a R$ 56/saca para entrega entre 3 e 7 de fevereiro, menos que os R$ 58/saca desejados pelo vendedor. Na semana anterior, cerca de 300 mil toneladas foram comercializadas entre R$ 57 e R$ 58/saca no spot.
Em Mato Grosso, os compradores ofereciam R$ 54/saca (FOB) na segunda-feira em Campo Verde, enquanto os produtores pediam R$ 54,50/saca, afirmou o corretor Alex Hildenbrandt, da Mauá, de Rondonópolis. Ele revelou que o último negócio foi verificado na quinta-feira passada (27), quando 5 mil sacas rodaram a R$ 53,10/saca na região.
Para entrega em fevereiro e início de março, as tradings já reduziram o ritmo de aquisições. Para retirada até o fim de março na região de Rondonópolis e pagamento em abril, as pedidas oscilavam entre US$ 23/saca e US$ 23,50/saca. O corretor contou ter visto acordos nesse patamar na semana passada, mas não sabia precisar os volumes. Para entrega em março e pagamento em abril no Porto de Santos, a pedida de compra chegou a R$ 69/saca no fim da semana passada, sem registro de negócios.
O índice de preços calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), que reflete cinco praças paranaenses, caiu 0,34% e fechou a R$ 63,93/saca na segunda-feira. Em dólar, o índice ficou em US$ 26,26/saca (-1,02%). A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 2,4350 (+0,7%).
EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cepea/Agência Estado