As exportações da safra 2013/14 seguem dando fôlego aos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT), e a oleaginosa terminou ontem no maior patamar do mês. Com a manutenção da demanda pelo produto norte-americano, investidores acompanham de perto o tamanho do estoque do país ao final da temporada, e até a chegada de novos dados – que mostrem nova elevação das importações dos Estados Unidos ou cancelamentos de vendas -, a tendência do mercado deve seguir altista. Para hoje, véspera de um final de semana prolongado nos Estados Unidos, que celebra o Memorial Day na segunda-feira, o mercado espera realização de lucros.
Ontem, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostrou que o país vendeu 164,4 mil toneladas de soja da atual safra na semana encerrada em 15 de maio, volume 123% superior aos acordos registrados no período anterior. O volume ficou acima das estimativas do mercado, que esperava entre cancelamentos de 150 mil toneladas e vendas de até 100 mil toneladas.
“Essa foi mais uma semana de novas vendas entrando na carteira dos exportadores, o que eleva para 44,872 milhões de toneladas o total vendido ao exterior para a safra, acima do estimado pelo USDA”, afirmou Stefan Tomkiw, analista da Jefferies Bache, de Nova York.
Tomkiw avalia que, dado o cenário de aperto nos estoques, ou USDA eleva a estimativa de importações ou os cancelamentos de compras começam a aparecer. “Tradicionalmente os chineses rolam para a safra seguinte entre 3% a 5% de tudo que contrataram, mas possivelmente isso ocorrerá a partir de julho”, complementou. No dia 4 de junho o USDA mostrará dados de importação de soja dos Estados Unidos e no dia 11 será publicado o relatório mensal de oferta e demanda do governo norte-americano.
Até lá, sem essa sinalização de arrefecimento da demanda, a tendência é que os preços sigam sustentados, reforça o analista da Jefferies Bache. Na sessão de hoje, no entanto, é bem provável que o mercado aproveite para embolsar lucros. “Não por mudança os fundamentos, mas o mercado começou a semana trabalhando em US$ 14,85 por bushel e bateu a máxima de US$ 15,31/bushel na sessão de hoje (ontem). É bem provável um movimento de realização, ainda mais antes do final de semana prolongado”.
O contrato julho, atualmente o mais negociado, fechou com ganho de 13,50 cents (0,90%), a US$ 15,1875 por bushel.
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
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CBOT/Agência Estado
No mercado doméstico, vendedores aproveitaram o segundo dia de forte alta em Chicago para negociar novos lotes.
Em Rondonópolis (MT), cerca de 100 mil toneladas forma negociadas nos últimos dois dias, ontem a R$ 64/saca, e a R$ 63/saca na quarta-feira, afirmou Gilmar Meneghetti, da Diversa Corretora. “O mercado é vendedor principalmente para abrir espaço nos armazéns para a safrinha”, ressaltou. O corretor afirmou que, se o mercado seguir em alta nesta sexta-feira, a tendência é de bom volume de negócios também. Houve chance de acordo para a safra 2014/15 a US$ 23/saca em Rondonópolis para embarque em 15 de fevereiro e pagamento no final do mês. “O produtor está começando a vender, mas boa parte das ofertas está em US$ 24/saca”, ressaltou.
No Rio Grande do Sul, lotes foram negociados a até R$ 73,20/saca no Porto de Rio Grande. No interior, acordos oscilaram entre R$ 69/saca e R$ 69,50/saca na região de Passo Fundo e Cruz Alta. Reny Kloeckner, da CeAgro, afirmou que cerca de 60 mil toneladas foram negociadas no Estado na quinta-feira.
Já em Ponta Grossa (PR), as indicações de compra superiores atraíram menos compradores, afirmou um corretor da região. Compradores sinalizavam R$ 70/saca na região para pagamento na metade de junho. No Porto de Paranaguá, havia chance de negócio a R$ 72,50/saca com pagamento no final de junho. A fonte local ressaltou, no entanto, que apesar do aumento dos lotes ofertados, apenas uma pequena parcela foi de fato comprometida na região.
O índice de preços calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), que reflete cinco praças paranaenses, subiu 1,36% e fechou a R$ 69,20/saca na terça-feira. Em dólar, o indicador ficou em US$ 31,23/saca (+1,04%). A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,2160 (+0,32%).
EVOLUÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO FÍSICO DE LOTES
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FONTE Cepea/Agência Estado