O Brasil assumiu o posto de maior exportador de soja em 2013 e deve se manter nesta posição neste ano comercial. A China é o maior importador de soja e depende da produção brasileira para atender sua demanda. O que o Brasil precisa fazer para manter este importante parceiro comercial? Quais são as perspectivas futuras para o mercado de commodities agrícolas brasileiro? O trader chinês Lin Tan, presidente executivo do Hopefull Group, empresa privada de beneficiamento de soja, conversou com a equipe do Notícias Agrícolas sobre esses temas.

A oferta de soja está escassa nos Estados Unidos, mas a demanda da China continua firme, com compras de grandes quantidades, mensalmente. Já que a safra brasileira só entra no mercado em abril, existe alguma possibilidade de faltar soja no mercado? 
Lin Tan – A oferta será menor, mas não faltará soja. Os exportadores dos Estados Unidos têm um bom sistema de armazenagem e eles irão se preparar para conseguir fornecer soja enquanto a safra sul-americana não entra no mercado. Portanto, nos primeiros meses do ano, até abril, a China terá que comprar uma quantidade menor de soja, por um preço provavelmente mais alto, mas não ficaremos sem o produto.
Quais são os principais obstáculos no comércio agrícola entre a China e o Brasil?
Lin Tan – O Brasil tem seus problemas de logística, como a falta de estrutura para transportar soja e milho até os portos, o que faz com que seu produto fique mais caro e consuma o lucro do produtor. Mas sabemos que as coisas estão melhorando, pois o Brasil está trabalhando nisso. O ritmo ainda é lento, mas pelo menos as coisas estão acontecendo.
Por outro lado, como o Brasil é hoje o maior exportador de soja do mundo, esses problemas que encarecem o produto brasileiro também podem ter algum impacto nos preços mundiais. Se a soja brasileira estiver mais cara, a soja argentina e americana também estarão, portanto, a China terá que pagar um preço mais alto.
Mas o Brasil também precisa manter seus preços competitivos para continuar vendendo. No final, os custos são repassados pelos produtores, pois não se pode transferir todos seus custos para o mercado internacional.
Qual é a perspectiva para o Brasil como exportador de commodities agrícolas no futuro?
Lin Tan – Acredito que o Brasil se tornará cada vez mais competitivo, pois tem uma produção maior que os outros países e, daqui para frente, continuará sendo o maior exportador de soja. Já na produção de milho, o Brasil deverá levar algum tempo para alcançar os Estados Unidos, já que os norte-americanos produzem hoje cinco vezes mais milho que o Brasil.
Nos Estados Unidos, o milho tem forte demanda para a produção de etanol. O mercado brasileiro também absorve boa parte do milho que produz para fazer ração animal. O mercado internacional de milho é muito apertado, não é tão grande quanto o da soja.
O governo chinês continuará estabelecendo cotas de importação em grãos como o milho, nos próximos anos? 
Lin Tan – A China deve aumentar suas importações de milho no futuro, mas o governo tentará limitar isso. Atualmente, a China precisa produzir pelo menos 95% das commodities que consome, e só pode importar 5% de cada cultura. Isso inclui o trigo, milho, algodão e açúcar – excluindo a soja, que não tem limites para a importação. Este ano, o limite para importação de milho foi de 7,2 milhões de toneladas. Portanto, se o consumo for maior, poderemos aumentar o volume de importações, dentro do limite dos 5%. Se tivermos que importar mais, você pode, mas terá que pagar mais, pois as taxas de importação serão maiores.
Quais serão as commodities agrícolas com maior demanda pela China?
Lin Tan – As pessoas que moram em centros urbanos consumem cada vez menos arroz e trigo e cada vez mais carne. Então a demanda por milho e soja deverá aumentar, para garantir a produção de ração animal. Importamos um pouco de trigo para produzir pão, pois o trigo chinês não é de boa qualidade. Grãos como trigo e arroz são para apenas para o consumo humano, portanto acredito que a China não terá um grande aumento de demanda para eles.

Fonte: Notícias Agrícolas

CONHEÇA OS PRODUTOS QUE TEMOS PARA VOCÊ